sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Igreja é condenada por ofender terreiro de umbanda na Bahia

De acordo com o defensor público, além de ofender diretamente o terreiro, as agressões verbais incomodavam a vizinhança.
Uma igreja evangélica de Camaçari (BA) será multada em R$ 5 mil por ofender moralmente um terreiro de candomblé. A batalha judicial se arrasta há um ano e é apontada como causa de uma morte.

Os problemas começaram em 2014, quando o terreiro Oyá Denã passou a ter como vizinho a igreja evangélica Casa de Oração Ministério de Cristo. Segundo a Defensoria Pública Estadual os pastores se referiam ao terreiro como "local de feiticeiros" e habitado pelo "demônio". "Os dois pastores denegriram tanto a imagem do terreiro que a chefe da casa de candomblé morreu numa noite, de infarto. Pelo excesso de ofensas, na própria intolerância religiosa em si", afirmou o defensor Ricardo Alcântara, um dos autores da ação contra a igreja.

A família dela alega que um grupo de evangélicos fez uma vigília diante do terreiro na madrugada em que ela morreu, com manifestações de ódio e gritos de "limpa esse lugar do Satanás", "afasta o demônio" e "o diabo mora aí".

Com a morte dela, sua filha assumiu o terreiro, mas os insultos continuaram. De acordo com o defensor público, além de ofender diretamente o terreiro, as agressões verbais incomodavam a vizinhança, devido ao barulho e às palavras utilizadas.

A decisão judicial fixou ainda uma multa de R$ 2 mil por cada nova ofensa que venha a ocorrer e proibiu que os pastores incentivem, em seus cultos, a realização de atos de intolerância. A igreja terá, ainda, de fazer revestimento acústico em suas instalações, no prazo de 30 dias.

O pastor Lindivaldo Viana de Santana disse que sua igreja não age com intolerância religiosa e que ações do tipo estão sendo praticadas pelo terreiro. "Ninguém está atirando pedras no terreiro ou xingando frequentadores. A intolerância está partindo deles, que fazem rituais à meia-noite no meio da rua ou até na varanda da minha igreja", disse.

Segundo ele, a igreja ainda não tem alvará de funcionamento e, por isso, sofreu embargo de um muro que seria construído com a finalidade de isolar o local, para não ser utilizado pelo terreiro. "Nós só procuramos fazer a obra de Deus. Por isso estamos fazendo cultos em lares, até a situação ser resolvida. Já ouvimos que vão nos matar com obra de feitiçaria, de vodu. Fiéis abandonaram a igreja com medo", disse.

Segundo o pastor, a igreja ainda não foi notificada da decisão judicial. Questionado se pretende recorrer, afirmou que a decisão "está nas mãos do nosso senhor Jesus Cristo".

Com informações de Folhapress | Pátio Gospel Notícias
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